Na história, somos apresentados a um mundo onde existem criaturas chamadas ghouls. Eles são temidos na sociedade por serem agressivos e por se alimentarem de seres humanos, o porém é que essas criaturas se assemelham em praticamente tudo com os humanos.
As diferenças de um ghoul para um ser humano são: a cor de seus olhos, que sofrem alterações dependendo do estado; a incapacidade de comer “comida dos humanos”, além de café; e por fim, ghouls possuem uma estrutura corporal extra chamada kagune, que funciona como arma para que eles possam caçar suas presas e também se defender.
Nesse universo, está inserido o jovem Kaneki Ken, um humano. Uma das grandes paixões de sua vida é ler, tanto que ele cursa Literatura Japonesa. Esse amor pela leitura, faz com que ele se interesse pela bela Kamishiro Rize, principalmente por ela estar lendo uma obra de uma autora que Kaneki admira.
Rize acaba se aproximando de Kaneki e marcando um encontro com ele. O rapaz mal acredita que está realmente tendo um encontro, mas acaba tendo uma péssima surpresa ao descobrir que ela é um ghoul. Para a sorte do garoto, acontece um acidente que acaba matando Rize, porém ele já estava gravemente ferido, fazendo com que seja necessário um transplante de órgãos. A partir daí, a vida de Kaneki se tornaria um inferno.
Como esperado, Ken se transforma em um ghoul, porém ainda continua sendo humano ao mesmo tempo. Isso fica claro ao vermos que apenas um de seus olhos manifesta a mudança de coloração das criaturas. Com o rapaz transformado, o leitor começa a acompanhar uma série de conflitos ideológicos que o garoto sofre. Kaneki percebe que os ghouls não são monstros irracionais como a mídia humana coloca. Eles apenas estão lutando para sobreviver e podem ser bons ou ruins assim como os seres humanos.
O autor Sui Ishida coloca os ghouls do lado protagonista da história, fazendo com que o leitor tenha simpatia pelas criaturas. O normal é ver a humanidade sempre do lado “bonzinho”. Um mangá sobre alienígenas querendo destruir a Terra, por exemplo, é quase sempre sobre os humanos lutando para proteger seu planeta e destruir os aliens. Isso torna a inserção do não-comum interessante para o andamento da história.
Outra coisa que amplifica isso é existir uma organização que tem como função acabar com ghouls. A CCG é um grupo de humanos treinados para enfrentar ghouls. Além de possuírem uma grande capacidade física de combate, eles utilizam armas chamadas quinque. Elas são feitas com as próprias kagunes dos ghouls, tornando-as um material forte para enfrentá-los.
O mangá tem uma história densa e bem violenta, buscando elementos gore em quadros de batalha ou quando os ghouls estão se alimentando. O mangaká faz referências a autores clássicos, principalmente ao livro A Metamorfose, de Franz Kafka, que fala sobre um homem que se transforma em inseto.
Para completar o clima da obra, a arte de Sui Ishida é sombria, aparentemente feita para causar terror. Em um mangá como este, combina perfeitamente. Tanto humanos como ghouls tem expressões muito bem representadas, revelando bastante sobre os personagens ou mostrando como a personalidade destes se altera com o tempo. Durante as lutas, acompanhamos bem como elas são cheias de movimentos rápidos, dando um clima frenético a todo aquele clima de terror.